Thursday, November 10, 2005

Roubada aos Pedaços

Queres saber do que fujo? Fujo de mim! Fujo da certeza de ser boa. Boa não... Única e especialíssima. São nessas horas que culpo os contos de fadas moralistas, covardemente sustentados numa ética de fracassados e covardes.
Tenho medo de ser maior do que esperam, de que eu incomode e, conseqüentemente, odiada. Aprendi assim. Os que destoam do rebanho sempre são negados e negrados, escurecidos por luzes turvas.
E continuo aqui, medíocre, a contar centavos. Certas coisas ficam melhores quebradas. Cultua-se o derrotismo, como se o apagar-se na simplicidade fosse sinônimo de sorrisos garantidos.
Sim. Eu sonho, e às vezes nem durmo, pensando ser metade de um par de amantes. E mesmo sabendo que é uma busca impossível, continuo a cavar tal fantasia sob meus pés, ilusão que talvez seja minha própria sepultura.
Estou cansada da face covarde que me reporta ao mundo, ando irritada com a possibilidade de ceder ao conveniente, às facilidades.
Um dia acordarei cedo, farei café, torradas e ovos, lavarei calcinhas e meias sorrindo para a pessoa que amo, mas não posso cair na cilada da solidão rasteira e mugir de cabeça baixa para a comodidade da falsa não-solidão.
E nesses tempos em que sinto perder minhas vontades puras tenho vontade de aumentar o volume da música, cantar alto e beber até perder a razão. Se razão fosse sinônimo de felicidade 80% do mundo estaria sorrindo e produzindo algo melhor.
Certezas tenho quase nenhuma, mas as poucas que me restam me impelem a dizer não! Sinto que estou sendo lesada por regras equivocadas. E hoje eu só queria um peito sem pulso para eu poder descansar meu desespero.

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