Roubada aos Pedaços
Queres saber do que fujo? Fujo de mim! Fujo da certeza de ser boa. Boa não... Única e especialíssima. São nessas horas que culpo os contos de fadas moralistas, covardemente sustentados numa ética de fracassados e covardes.
Tenho medo de ser maior do que esperam, de que eu incomode e, conseqüentemente, odiada. Aprendi assim. Os que destoam do rebanho sempre são negados e negrados, escurecidos por luzes turvas.
E continuo aqui, medíocre, a contar centavos. Certas coisas ficam melhores quebradas. Cultua-se o derrotismo, como se o apagar-se na simplicidade fosse sinônimo de sorrisos garantidos.
Sim. Eu sonho, e às vezes nem durmo, pensando ser metade de um par de amantes. E mesmo sabendo que é uma busca impossível, continuo a cavar tal fantasia sob meus pés, ilusão que talvez seja minha própria sepultura.
Estou cansada da face covarde que me reporta ao mundo, ando irritada com a possibilidade de ceder ao conveniente, às facilidades.
Um dia acordarei cedo, farei café, torradas e ovos, lavarei calcinhas e meias sorrindo para a pessoa que amo, mas não posso cair na cilada da solidão rasteira e mugir de cabeça baixa para a comodidade da falsa não-solidão.
E nesses tempos em que sinto perder minhas vontades puras tenho vontade de aumentar o volume da música, cantar alto e beber até perder a razão. Se razão fosse sinônimo de felicidade 80% do mundo estaria sorrindo e produzindo algo melhor.
Certezas tenho quase nenhuma, mas as poucas que me restam me impelem a dizer não! Sinto que estou sendo lesada por regras equivocadas. E hoje eu só queria um peito sem pulso para eu poder descansar meu desespero.
Tenho medo de ser maior do que esperam, de que eu incomode e, conseqüentemente, odiada. Aprendi assim. Os que destoam do rebanho sempre são negados e negrados, escurecidos por luzes turvas.
E continuo aqui, medíocre, a contar centavos. Certas coisas ficam melhores quebradas. Cultua-se o derrotismo, como se o apagar-se na simplicidade fosse sinônimo de sorrisos garantidos.
Sim. Eu sonho, e às vezes nem durmo, pensando ser metade de um par de amantes. E mesmo sabendo que é uma busca impossível, continuo a cavar tal fantasia sob meus pés, ilusão que talvez seja minha própria sepultura.
Estou cansada da face covarde que me reporta ao mundo, ando irritada com a possibilidade de ceder ao conveniente, às facilidades.
Um dia acordarei cedo, farei café, torradas e ovos, lavarei calcinhas e meias sorrindo para a pessoa que amo, mas não posso cair na cilada da solidão rasteira e mugir de cabeça baixa para a comodidade da falsa não-solidão.
E nesses tempos em que sinto perder minhas vontades puras tenho vontade de aumentar o volume da música, cantar alto e beber até perder a razão. Se razão fosse sinônimo de felicidade 80% do mundo estaria sorrindo e produzindo algo melhor.
Certezas tenho quase nenhuma, mas as poucas que me restam me impelem a dizer não! Sinto que estou sendo lesada por regras equivocadas. E hoje eu só queria um peito sem pulso para eu poder descansar meu desespero.


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